18/07/10

III - O Juramento

Reúnem-se as tropas na parada,
Numa manha pintada de sol.
Esperam pelo General e sua espada,
Pois será ela a tornar o rol
Que agora apenas é de soldados
Em verdadeiros Gverreiros do Minho
Que com o símbolo serão contemplados
Deste belo e aprazível cantinho.

De armaduras postas, envergam o escudo
Que os salvará durante a guerra.
Brilham os metais no sol que ferra,
E o guerreiro não geme, pois suporta tudo
Seja dor, angústia ou sede de vingança
Pois ele sabe que chegará a hora
De começar a ansiada matança
Do traidor que por perdão implora.

Na cabeça do Guerreiro vai um pensamento,
O de deixar tudo em cada batalha
Não dar espaço a qualquer falha
Para o seu fim não ser sangrento,
E finca o olhar no horizonte
Como quem lhe quer incutir o medo
De que o esquarteja em segredo
E que não haverá quem a história conte.

É interrompido desta sua quimera
De querer ferir o que não atinge
Pelo General que acabou com a espera
E nele sua atenção se cinge.
Poucas palavras se fazem ouvir
Da boca que transborda saber
Mas de tão fortes fazem sentir
Que só unidos poderão vencer:

“Jurará cada um de vós,
Aqui em frente a esta multidão,
Que nem que o destino vos seja atroz,
Nem que tenham de ficar sem voz,
As costas à luta não voltarão.
Memorizem todas as caras presentes
Porque por eles ireis lutar
Todos eles se sentem crentes
De no fim terem algo para festejar

Memorizem as caras dos vossos parceiros
Que nos próximos tempos serão irmãos
Confiem-lhes a vida e nos momentos derradeiros
No fogo por eles poreis as mãos.
À minha frente sereis chamados
Para a jura eu aprovar
E com a espada abençoados
Pela eterna sede de ganhar!”

Um a um se aproximam do local
Onde será cumprido o ritual
De joelhos e braço esticado
Juram que “Nunca será dizimado
O povo da nossa terra
Enquanto eu for um soldado
Nunca terá fim a guerra
Que eu nunca serei vergado!”

“Abençoado sejas soldado
E que de vencer faças teu lema
Nunca te dês por derrotado
E honra sempre o teu emblema!
Nasceste com alma de lutador
E não temerás soldado besteiro
Levanta-te para sentires o louvor,
A partir de agora és um Gverreiro”

21/03/10

II - O General

Bate o badalo o toque a reunir
Gera-se um burburinho em busca de novidades.
Um rosto desconhecido entre as personalidades
Faz adivinhar o que se vai ouvir.
“Ei-lo à nossa frente, o nosso General”.
Com vontade de matar o traidor do ninho,
No seu grito de guerra mostra o sinal
Do reacender da chama dos Gverreiros do Minho

Ergueu os sonhos que antes desabaram,
Mostrou firmeza aos que ficaram,
Jurou vingar aqueles que tombaram
Lutando pela bandeira que tanto amaram
Aos fracos, encheu-os de orgulho,
Aos fortes, indicou-lhes o caminho
Aos descrentes, limpou-lhes o entulho
Que feria a crença como um espinho.

Vieram os cépticos criticar o sangue novo
Sem nunca sair do seu recovo.
Recusam acreditar em quem os chefia
Por acharem ter personalidade macia,
Não o vêm capaz de ferir alguém
E escolhem vê-lo com desdém.
Do silêncio o General faz resposta,
E promete trabalho, é essa a sua aposta.

De entre todos escolheu os melhores
E convenceu outros a lutar pela causa.
No seio do grupo não há espaço a dores,
Pois só se merecida será dada a pausa.
Quem a esta Legião se quiser juntar
Seu lema se impõe que aprenda,
À Senhora do Leite aprenderá a amar
Para que sempre esta o defenda.

É hora de melhorar a forma física
Incutir uma nova mentalidade,
Mentalizar os homens que existe uma mística,
Que não pode ser quebrada a fidelidade
Feita por todos no juramento de bandeira
Onde se comprometeram a defender a pedreira,
A ser destemidos, lutadores e organizados.
Se assim se mantiverem não serão derrotados.

Não existindo exércitos invencíveis,
Terão de mostrar argumentos credíveis
Contra quem faz da união a maior força
Se quiserem que a Legião torça.
Se lhes perguntarem responderão quebrar
Ao invés de torcer, labutam para eliminar
Os pontos inconsistentes do seu ser.
Tornando a fraqueza em força e vontade de vencer.

Ainda não estão preparados os Gverreiros
Treinam nos limites para poderem ajudar
O povo que defendem e que querem atacar.
Chegam relatos de ataques certeiros
À pedreira mais bela de toda a Europa
Não há tempo a perder, reúna-se já a tropa!
Todos somos poucos mas temos de os enfrentar.
A guerra vai começar, contra todos eles “Lutar!”

I - O ínicio

Escrevendo espalharei por toda a parte
Mesmo sem jeito, mesmo sem arte,
Ao contrário do que Camões fez.
Sinto chegada agora a minha vez
De vos contar por meio de palavras,
Feitos históricos, injustiças macabras,
De uma Legião de bravos Gverreiros
Que lutaram para ser os primeiros.


De um povo farto de sofrer injustiças,
Sedentos de vitórias há muito merecidas
Ergueu-se a voz de vontades movediças
De lutar pela cura milagrosa das feridas.
Após anos silenciados por um regime
De falsidade e depressão que desalenta
Quem pensa possível mudar, e os reprime,
Tentando extinguir o fogo que os acalenta


Chegou a hora de reerguer bandeiras,
Reunir as tropas e definir estratégias,
Defender até à morte nossas eiras
Dos que se acham senhores de leis régias.
Orientados pela cegueira atroz
Que felizmente não nos afecta a nós,
Serão derrotados sem qualquer glória
E gritaremos juntos “vitória!”.


O caminho parece árduo e cruel,
A fasquia está bastante elevada
Para todos que não acham crível
E de desfaçatez imanada
A vontade e a crença de uma Legião
Num futuro diferente e mais justo,
Numa história escrita sem guião
Com início em terras outrora de Augusto.


Em terra que antes fora capital
Nasce a vontade de triunfar um dia.
Será esta Legião declarada Imortal
Pelo Deus da guerra e sua vontade fria?
Com a sua benesse ou sem a sua ajuda
Será formado um exército nobre
Destinado a realizar o desejo mais pobre
De quem se fartou do desfecho que não muda.


Caiu no burgo a noite, só as tochas iluminam
O local onde se reúnem os bravos.
Chegando a um consenso ao futuro destinam
Uma batalha que não terá nome de cravos,
Por haver para matar uma sede
De vingança tomada aos tragos
Impingida por essa corja da rede
Associada a poderes magos...


Definem-se estratégias e aprovam-se as ideias
Sem uniões aos de paredes meias
Lutaremos sozinhos pelo sonho, pela liberdade,
Será derramado sangue em nome da verdade.
Precisamos da voz forte e de comando
Dada pela garganta do nosso general
Será sempre dele a decisão final,
Decidirá quem, como e quando...